monstros

Filme: “Onde vivem os monstros”

É a estória de um garoto chamado Max que se sente solitário e sempre busca fazer algo para chamar a atenção de sua irmã adolescente e de sua mãe divorciada.

Para brincar, Max inventa muitas estórias, criando seu mundo de fantasia.

Um dia, chama por sua mãe para mostrar o forte que construiu, mas ela diz que está ocupada e não pode ir. Na realidade, ele verifica que ela está com seu namorado e isso desperta toda sua raiva e ciúmes.

Começa a provocar sua mãe, fingindo ser um monstro, se descontrola, gritando e correndo pela casa até que sua mãe o alcança e o segura. Nesse momento, para se soltar, ele a morde e sai correndo pelas ruas.

Em sua imaginação, ele viaja pelo mar até alcançar uma ilha habitada por “monstros” onde para não ser devorado diz ser rei.

São sete monstros: Carol, Douglas, Janeth, Ira, Alexander, Touro e KW.

Os monstros ficam felizes ao terem um rei, pois acreditam que ele trará a felicidade que há tempos eles não sentem.

Max começa a fazer com que eles brinquem e assim, eles se sentem felizes. Mas, nem tudo é brincadeira, Max começa a ver naquele grupo vários comportamentos que teve em várias situações de sua vida e isso começa a fazer com que ele amadureça e entenda melhor o que passa em sua vida.

Os monstros também começam a entender que não é um rei que trará sua felicidade e alegria, mas que eles são responsáveis por isso.

Posso dizer que não é um filme infantil, mas é uma grande viagem ao nosso mundo interior. Afinal, crianças e adultos são iguais na essência, se diferenciam apenas na intensidade e na forma com que expõem seus sentimentos mais profundos.

Os monstros do filme representam exatamente nossos sentimentos:

  1. Carol – impetuoso, intenso, dramático; não por ser um ser mau, mas por estar perdido e se sentir abandonado.
  2. Douglas – o grande amigo de Carol que apesar de ser agredido e magoado é sempre fiel.
  3. Alexander – o bode carente e com baixa autoconfiança que sempre diz que ninguém o ouve e lhe dá atenção.
  4. Judith – agressiva, que fala o que vem à sua cabeça, sem se importar em ser sutil.
  5. Ira – o amável companheiro de Judith. Sempre disposto a ajudar e manter sua companheira calma, mesmo recebendo broncas.
  6. Touro – possui uma aparência que dá medo, principalmente por não falar nada e apenas observar. Ao final, se mostra um ser melancólico e de bom coração.
  7. KW – dócil, maternal, para não discutir prefere se distanciar.

Ao assistirmos ao filme e observarmos o comportamento de cada monstro, podemos nos ver em vários momentos de nossa vida agindo da mesma forma. Tão forte que isso se mostra que minha filha (na época tinha apenas 5 anos) conseguiu se ver nos atos de Carol, ao brigar conosco, seus momentos de raiva ao ser contrariada.

Que tal enfrentarmos nossos monstros interiores para buscarmos a felicidade que está apenas em nossas mãos e não nas de um salvador que talvez nunca apareça.


jogo

Vai para o jogo ou vai ficar treinando a vida toda?

Gostaria de trazer uma reflexão nesse texto sobre como enfrentar os desafios pode trazer resultados excepcionais e para isso vou contar uma história da minha filha.

Hoje, foi mais um dia lindo porque minha maior luz, minha filha, brilhou em seu primeiro campeonato de vôlei e não porque ela conquistou o segundo lugar, mas porque também soube lidar com a derrota de uma forma que eu não imaginaria que ela faria, afinal conheço a minha “japinha” e sabendo que há 2 meses, ela nem queria saber de participar.

Não foi fácil convencê-la a participar! Recebi o comunicado do professor pelo Whatsapp e falei para ela: “Olha, Samara! Vai ter um campeonato!” e ela: “Tá! Eu não quero participar!”.

“Como assim? Você não vai participar?”, eu perguntei estarrecida. E ela, simplesmente dizia que não iria de jeito nenhum!

Inconformada, perguntei os motivos e ela apenas dizia que não queria, mas isso não me cheirava bem até porque ela sempre foi participativa. Aí me bateu uma questão… Samara não gosta de errar, não gosta de sentir avaliada e muitas vezes isso a atrapalha porque acha que ainda não está pronta, uma auto cobrança excessiva.

E isso é em tudo… na escola, nas aulas de desenho (ela demorou um tempão para nos mostrar os desenhos que ela estava produzindo porque ainda achava que não estava tão bom) e no vôlei, ela meio que titubeou ao mudar de turma porque achava que não sacava direito, então não poderia ir até que entendeu que aprenderia lá.

Aí tentei dar um cheque mate nela e perguntei: “Por que você está fazendo aula de vôlei?”

Ela: “Para aprender a jogar…”

Eu: “E para quê?”

Ela, meio sem graça: “Para competir…”

Eu: “E vai esperar para competir quando? Vai lá! Se diverte! Experimenta! Se você não experimentar, nunca vai saber como é.”

Ela: “Vou pensar…”

E isso foi… Depois de algumas semanas, ela me disse: “Mãe… precisa fazer minha inscrição para o campeonato.” Uhuuu!!! Ela decidiu!

Nesse dia, ela foi para o vôlei, conversou com uma amiga e montaram uma dupla, mas ainda faltava mais um e depois de mais algumas aulas, um amigo ingressou no time.

E hoje foi o dia! O dia que ela e seus amigos brilharam! Jogaram muito melhor do que nos treinos. Meu marido e eu gritávamos: “Vai, japinha!” e daqui a pouco, ouvimos os pais e até a avó da amiguinha gritando quando ela ia sacar: “Vai, japinha!”. E ela se divertindo (com seriedade como diz o professor dela) tanto ganhando quanto perdendo.

E aí, chegou um segundo lugar com a alegria de ter se desafiado e ter feito o seu melhor. E o mais bacana, saímos de quadra com ela dizendo que agora participaria de tudo! Se não tivesse participado, talvez cada vez ficaria mais difícil superar o medo da frustração.

E por que resolvi contar essa história?

Quantas pessoas acham que nunca estão prontas e ficam dentro de seus casulos, se preparando, se preparando e não decidem… não partem para a ação? Não se desafiam com medo do julgamento, do erro, da frustração. Perdem a oportunidade de se experimentarem para poderem ter um feedback para que possam melhorar.

O medo do julgamento e da frustração é um inibidor para que possamos tomar decisões que podem nos trazer melhores resultados. “Treinar” seja no esporte ou na vida de nada serve se você não partir para o “jogo”. Só lá você poderá entender seus pontos fortes e fracos e verificar como melhorar para ter ainda um melhor resultado.

Quantas pessoas acreditam que estão sozinhas e ao contrário! Você tem um time que vai te ajudar nos momentos que você precisará… o “jogo” não é só seu… ACREDITE! Agregue pessoas ao seu objetivo!

E também tem a torcida do contra, mas também tem a torcida a favor que vai estar contigo até o final, ganhando ou perdendo! E isso tem um valor incrível!

Tomar decisões é ir para o “jogo”, é saber qual seu objetivo e o que fazer para chegar lá… Talvez, o resultado não seja o esperado naquele momento, mas ainda existirão muitas partidas e campeonatos.

E aí? Vamos para o “jogo”?


gênio

Você sabe o que você quer (de verdade)?

Nesse artigo, vou falar sobre um filme que retrata muitas pessoas que passam e passaram pela minha vida e que pode trazer reflexões poderosas: “Gênio Indomável”.

Will é um rapaz de 20 anos que passou por reformatórios, famílias que o adotaram, mas onde sofria agressões. Assim, tornou-se uma pessoa sem vínculos, com exceção de três amigos que sempre o acompanham nas saídas e brigas.

Porém, Will é um gênio, sem ir à uma universidade, consegue expor sobre economia, história e principalmente, resolver teoremas matemáticos complexos.

Por causa de uma briga, Will vai para a cadeia, mas um professor que descobre seu talento resolve ajudá-lo, mas Will terá que cumprir duas tarefas: estudar matemática e frequentar um terapeuta. Ele concorda em estudar, mas utilizando sua inteligência, manipula e sabota vários terapeutas que desistem de trabalhar com ele.

Até que seu professor contata um ex-colega de universidade que concorda em conhecer Will.

Começa aí uma série de encontros onde em vários momentos confunde-se a figura do terapeuta/ cliente. Suas discussões e leituras pessoais faz com que eles se vejam como em um espelho. Apesar de suas diferenças, percebem que as semelhanças são maiores.

Will tem seus medos, principalmente, do abandono. Sean se sente abandonado pela morte de sua esposa. Em um momento, Will começa a discorrer sobre alguns assuntos e Sean pergunta: “O que você quer?”.

Will continua a discursar e Sean diz a ele que é um rapaz inteligente que pode falar sobre vários assuntos, mas não consegue responder a uma pergunta tão simples. Sean, na realidade, também se vê nesse caos.

Após esta sessão, ambos refletem e tomam suas decisões a fim de deixarem o passado para trás, rumo a um futuro que desejam (re)construir.

A pergunta “O que você quer?” parece ser a mais simples que existe, mas lidando com pessoas nesses anos de trabalho em treinamento, vejo que grande parte dá uma resposta automática, pensando no que os outros gostariam de ouvir.

No momento em que respondemos claramente esta pergunta, conseguimos fazer nosso planejamento e executar as ações necessárias para alcançar nossos desejos. Porém, se não conseguimos respondê-la com clareza, andamos em círculos, culpando pessoas e situações, sentindo frustrações, causando uma desmotivação.

Quantas pessoas também possuem um “Gênio Indomável”? São talentosas, mas o medo e a falta de autoconfiança faz com que não consigam se relacionar com outras pessoas, não se mobilizem para seus projetos, enfim, conseguem se autossabotar. As pessoas gostam de se sentirem vítimas para serem confortadas, afinal, vencedores, muitas vezes, são desprezados.

Que tal tirar o dia para pensar e estabelecer:  O que REALMENTE você quer?


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Por que você não toma decisões? Medo do fracasso ou do sucesso?

Talvez, você ache estranho o título desse artigo e fale: “Como assim? Ninguém tem medo do sucesso!!!”

Será???

Ao conversar com as pessoas, o mais comum, é claro, que elas deixam de tomar decisões porque têm medo de fracassarem e aí como vão lidar com isso… O problema não é exatamente como elas vão lidar com o fracasso, o grande “desconforto” é “o que elas vão falar para as outras pessoas” como se elas devessem satisfação de sua vida e o que acontece? Elas deixam de viver seus sonhos para viver o que as pessoas acham mais correto ou fazem ações que não possuem desafios para se arriscarem pouco e poderem falar que são vitoriosas, mas no fundo, elas sabem que não estão realizadas.

Aprendi ao longo de todos esses anos que quanto mais decisões tomamos, provavelmente, vamos fracassar bastante, porém também vamos ter muitas realizações. E se não tomamos decisões, também não erramos e obviamente, nossas realizações serão muito menores. Decidir é uma questão de tentativa e erro? Sim, mas podemos aprender a errar menos ou se errarmos, podemos tomar novas direções rapidamente.

Agora, tem gente que tem medo do sucesso? SIM!!!

Muita gente já fez o seguinte relato: “Sei a decisão que quero tomar, fiz uma análise das probabilidades e todas levam a caminhos positivos, mas não consigo ir em frente.”

E por que ela não consegue ir em frente se pode ter sucesso? Talvez, por a questão de ter que enfrentar uma mudança.

Toda decisão terá uma mudança e as pessoas sabem que vão se deparar com coisas novas e terão que aprender a lidar com elas. Isso gerará um novo comportamento e provavelmente, muito trabalho pela frente e terá que dispender uma energia que ela não sabe se está disposta a gastar.

E o que acontece quando não se vai em frente? As oportunidades e aprendizados passam, as realizações nunca chegam, mas a frustração dessa paralisação cada vez se torna maior. É um ciclo vicioso constante até que a pessoa visualize os benefícios que pode ter e decida sair de sua zona de conforto para a zona da coragem.

Enfrentar os novos desafios, conhecer pessoas novas, ver novos cenários, ter novos resultados que a movimentem e ao chegar no final do dia, mesmo esgotada possa parar e refletir como sua vida está diferente, com mais brilho e novas perspectivas.

Vai esperar até quando para tomar uma decisão? Até que alguém ou a vida tome por você? Antecipe-se, não fique esperando a melhor hora, sabe por quê? Porque nunca teremos certeza se ela chegará!


emoções, tomada de decisões

O que os filmes de animação podem te ensinar sobre as Emoções na tomada de decisões?

Quando falo sobre tomada de decisões, um dos aspectos que abordo e que é fundamental é como as emoções impactam em nossas decisões.

Muitas pessoas me dizem que é muito difícil separar a razão da emoção, porém é necessária essa cisão, pois se tomarmos atitudes no calor das emoções, podemos nos arrepender profundamente. Decisões devem ser tomadas de forma racional.

Quero abordar esse tema utilizando algo que gosto muito: os filmes de animação. Há muitos anos, não consigo mais assistir a esse tipo de filme sem fazer uma análise mais profunda das mensagens que ele traz.

Mensagens pouco entendidas pelas crianças (e talvez até por adultos), mas que podem nos fazer refletir e tirar excelentes aprendizados!

Quero trazer dois filmes que exploram como as emoções podem afetar nossa tomada de decisões: Angry Birds e Divertidamente.

Só um alerta, este texto contém spoilers (rsrs). Depois não diga que eu não avisei!

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Angry Birds é um filme bobo! Será?

No filme Angry Birds, há um personagem chamado Red, um pássaro mal humorado e “super” sincero que quando sai do sério não consegue controlar sua raiva e fica totalmente fora de controle. Por isso, vive fora de sua comunidade para alívio dos outros habitantes.

Depois de mais uma explosão emocional é enviado para um centro de controle de emoções onde conhece outros pássaros que juntos vão passar por alguns apuros.

Os pássaros recebem a visita de alguns porcos e Red acredita que tem alguma coisa de errado, mostra alguns fatos que descobriu, mas pela sua personalidade explosiva já conhecida por todos, ninguém acredita até que os porcos roubam todos os ovos dos pássaros que verificam que Red tinha razão.

Nesse momento, Red diz que é momento de todos sentirem raiva, pois ela fará com que todos lutem para buscarem seus ovos. Nesse momento, os pássaros conseguem descobrir seus “super poderes” e atingem seu objetivo.

Red nos mostra duas formas da raiva:

  1. Uma que nos tira a razão, perdemos o equilíbrio emocional, tomamos decisões erradas e agimos de forma inconsequente, gerando um profundo arrependimento, pois somos julgados e podemos ficar estigmatizados. Perdemos relacionamentos e credibilidade.
  2. Outra que pode nos mobilizar para um resultado, quando conseguimos parar, pensar e direcionar a raiva para ações mais efetivas em prol de um objetivo que desejamos e assim atingi-lo.

Exemplo: Alguém te diz que você é incapaz de fazer determinado trabalho. Você pode sair gritando, esbravejando e perder o controle e sair como louco da situação ou você pode parar e pensar como pode mostrar realmente o que é capaz de executar, despertando habilidades que nem imaginava.

emoções, raiva, tristeza, alegria, medo, nojo

E o que Divertidamente pode te ensinar?

Divertidamente que é um filme que retrata nossas emoções básicas em forma de cinco personagens: Alegria, Tristeza, Raiva, Nojo e Medo.

Conta a estória como uma menina de 11 anos chamada Riley que precisa aprender a lidar com suas emoções ao se mudar de cidade com os seus pais.

O cérebro é mostrado como um quartel general onde as emoções residem e controlam os sentimentos e ações de Riley. Lá estão armazenadas as memórias base, isto é, as memórias mais marcantes da vida e são elas que mantêm sólidas as ilhas da personalidade, no caso da Riley: Hóquei (o esporte que ela mais gosta), Palhaçada (as brincadeiras feitas entre ela e seus pais), Amizade (lembranças de sua melhor amiga), Honestidade (valor alimentado por seus pais) e Família (na tristeza ou na alegria, sempre estiveram juntos).

As lembranças de Riley são representadas por inúmeras bolas coloridas: amarela (Alegria), azul (Tristeza), verde (Medo), roxo (Nojo) e vermelho (Raiva). No dia da mudança de Riley, várias bolas verdes foram geradas demonstrando o medo pelo fato e assim, várias bolas (lembranças) vão sendo geradas ao longo da estória.

Depois de um tempo, várias lembranças são deixadas para trás (subconsciente) até que elas se apagam (inconsciente).

A mudança de cidade da família é apenas o pano de fundo para mostrar a mudança da fase de criança para a adolescência de Riley e como as emoções a fazem agir.

Por um problema ocorrido na sala de controle, as memórias base foram perdidas e Alegria e Tristeza estão fora, buscando recuperá-las. E quem fica no comando? A Raiva!

A primeira ilha a cair é a da Palhaçada que mostra que aquela criança não existe mais quando Riley não vê mais graça nas brincadeiras do pai, pois está com Raiva dessa mudança.

A segunda foi o da Amizade ao perceber que sua melhor amiga está empolgada com uma outra e assim com Raiva, deixa a amiga.

A ilha do Hóquei é a terceira a cair, pois ao fazer um teste para o time devido ao seu nervosismo, acaba não tendo resultados, não consegue ter um controle emocional, deixa a Raiva, mais uma vez, tomar conta dela e decide assim, abandonar o esporte que tanto ama.

Raiva decide “implantar” uma ideia na Riley: fugir de São Francisco e para isso, ela decide roubar a mãe e pega o cartão na bolsa dela, cai a ilha da Honestidade. O Medo busca persuadir a Raiva, mas ela é mais forte e não consegue. Assim, as lembranças começam a desmoronar.

Alegria acreditava que a vida poderia ser feita apenas de momentos bons, buscando a todo custo evitar que Riley tivesse outras emoções, principalmente Tristeza, mas com a jornada em busca das memórias base, ela percebe que não, que a vida é feita de uma mescla de todas. Alegria se lembra de um momento em que Riley estava triste porque havia perdido um gol no jogo de hóquei, porém seus pais foram consolá-las e logo em seguida, todo o time de hóquei também e assim ela ficou muito feliz. Alegria entendeu que muitas vezes a felicidade é acompanhada de uma tristeza.

Quando Riley embarca no ônibus para fugir, a ilha da Família começa a desmoronar e Raiva se arrepende, mas não consegue mudar a situação. Percebe-se que Riley está tão confusa que não consegue mais entender suas emoções.

Tristeza chega na sala do comando e consegue reverter a situação, fazendo com que Riley retorne para casa e consiga conversar com seus pais, demonstrando toda a Tristeza que sente e os pais a compreendem. Alegria e Tristeza geram uma bola mesclada de amarelo e azul que representa esse momento e assim, a ilha da Família é reconstruída.

No final, vemos que algumas ilhas que desmoronaram foram substituídas refletindo as fases da vida adolescente de Riley e as lembranças são representadas por bolas de cores mescladas, mostrando que nossas lembranças não são compostas de emoções únicas. A Alegria, às vezes, é acompanhada de uma Tristeza profunda. O Medo pode se transformar em Raiva e assim por diante.

Podemos também perceber que em Divertidamente se não há controle das emoções, as decisões podem ter resultados desastrosos como no caso de Riley que se deixou levar pela Raiva.

O filme é muito intenso! Dificilmente, conseguiria reproduzi-lo com todos os detalhes e insights que tive e que provavelmente você tenha outros. Por isso, vale a pena assistir!

Cuide das suas emoções para não se arrepender depois

No livro Blink de Malcolm Gladwen há uma citação sobre Dave Grossman (antigo tenente-coronel do exército) que afirma que o estado ótimo de “excitação” – a faixa dentro da qual o estresse melhora o desempenho – ocorre quando nossos batimentos cardíacos estão entre 115 e 145 por minuto. Acima de 145 batimentos, começamos a ter problemas de cognição e quando atingimos 175, há um colapso absoluto de processamento cognitivo. Nesse momento, nossas decisões são totalmente impactadas pelas emoções sem nenhum vestígio de racionalidade.

Dessa forma, devemos aprender a entender nossas emoções para podermos pensar melhor e tomarmos melhores decisões.

Eu tenho um mantra quando percebo que estou sendo dominada por fortes emoções: “Pare, pense, planeje e decida”. Quando digo fortes emoções, não quero dizer apenas as consideradas “ruins”, como o medo e a raiva; mas também precisamos cuidar da alegria.

Quando estamos “excessivamente” alegres também podemos tomar decisões erradas, recheadas de um otimismo exagerado e isso pode ser desastroso.

Outra emoção sobre a qual recebo muitas perguntas é o que fazer com o medo, como lidar com ele? O medo não é de todo um sentimento ruim, pois ele nos mantém atento para não corrermos grandes riscos. Imagine se ao atravessar a rua você não tivesse medo de ser atropelado? Provavelmente, não olharia para os 2 lados, não é? Porém, o medo se torna um sentimento ruim quando ele te bloqueia totalmente para qualquer ação e aí sim, precisa ser trabalhado para que possa ser transformado em um processo de análise de riscos e dessa forma, tomar uma decisão.

Vocês perceberam que as emoções podem ser boas em alguns momentos e ruins em outras? Depende de como você as utiliza!

autoconhecimento

Busque o autoconhecimento, esse é o caminho para uma melhor tomada de decisões

Faça esse exercício:

  1. Identifique suas emoções
  2. Como elas se manifestam e como você se comporta?
  3. Quais decisões tomou impactadas por qual emoção? Qual foi o resultado?
  4. O que você pode fazer quando for tomado por determinada emoção?

Além do meu mantra, uma outra ação que me ajuda muito é escrever, principalmente quando estou com raiva. Escrevo tudo o que gostaria de falar e normalmente quando chego no final, releio o que escrevi e apago tudo porque a vontade de despejar aquelas palavras para determinada pessoa, passou e assim não faço algo que depois me arrependa. Ou então, o texto me serve de subsídio para elaborar alguma estratégia para planejar meus próximos passos. Que tal experimentar?

Deixe seus comentários nesse post! Quem sabe você pode ajudar outras pessoas a lidar com suas emoções dando algumas dicas!

 

 

 

 

 


A dificuldade em tomar decisões

joao sem medoGostaria de começar esse artigo narrando uma parte de um livro português de 1973 chamado “As Aventuras de João Sem Medo”.

João morava em uma aldeia e ninguém se atrevia a atravessar a floresta, os moradores choravam de manhã até a noite e não tinham força para nada. O único que não se comportava dessa maneira era João que era chamado João Sem Medo.

Um dia, João resolveu saltar o muro, mesmo contrariando sua mãe e entrou na floresta e depois de algum tempo se deparou com dois caminhos (clássico em várias estórias): um asfaltado, cheio de amendoeiras em flor e outro, pedregoso com espinhos e urtigas.

Pensou: “Aqui estão os dois caminhos: o do Bem e o do Mal”.

João pediu a presença de uma fada (como nos contos) e apareceu um homem fantasiado de fada e disse que o caminho bom conduzia à Felicidade e o mau, à Infelicidade.

Assim, João decidiu ir pelo caminho mais bonito, mesmo achando muito fácil isso.

Ao entrar nesse caminho, encontrou uma figura monstruosa sem cabeça, com os olhos no peito e a boca no estômago e que disse: “Que a paz e a estupidez estejam contigo” e perguntou se ele estava preparado para a operação.

João perguntou sobre a operação e o descabeçado disse que ninguém poderia seguir o caminho que leva à Felicidade Completa sem consentir que lhe cortem a cabeça para não pensar, não ter opinião nem criar piolhos ou ideias perigosas; além de trazer nos pés e nas mãos correntes de ouro.

João recusa esse caminho mesmo o descabeçado dizendo que teria tudo de graça, se escolhesse o outro caminho sofreria e até dizer que poderia manter sua cabeça, apenas sugando o que estivesse dentro dela.

Assim, João segue para o outro caminho dizendo que jurava que não seria infeliz porque ele NÃO queria.

Essa parte da estória retrata bem o por quê das pessoas terem dificuldades para tomarem decisões.

Decisões acontecem a todo minuto, desde o momento em que você desperta e decide se levanta naquele momento ou fica mais 5 minutos na cama, o que vai vestir, o que vai comer, o que fará com aquele contrato, mudar ou não de emprego, como vai abordar um novo cliente, vender ou não a empresa, enfim, da mais simples à mais complexa, decisões fazem parte do nosso dia a dia.

E por que muitas pessoas sofrem para tomar decisões?

Vamos descrever os fatores que dificultam a tomada de decisões:

  • Incerteza –  Os moradores da aldeia do João Sem Medo têm medo do desconhecido, por isso decidem não sair de algo que pode não ser o melhor, mas é conhecido e por ser conhecido sabem como lidar com ele. Definitivamente, nunca saberemos se tomamos a melhor decisão e isso faz com que as pessoas adiem ou demorem muito tempo para decidir, pois querem ter a certeza de que estão dando o passo correto. Digo que precisamos pensar, analisar e decidir pelo o que é melhor para AQUELE momento. Não adianta sofrer pelo caminho não percorrido, pois nunca saberemos o resultado dele. O que precisamos é transpor os obstáculos que aparecerão no caminho que decidimos tomar, enfim, talvez sejam necessárias outras decisões. Querer ter a certeza faz com que as pessoas não saiam do lugar.
  • Complexidade – João Sem Medo citou os dois caminhos: um do Bem e outro do Mal, como se fosse fácil identificar um e outro. O mundo é complexo, ele não é preto ou branco, ele tem vários tons de cinza que muitas vezes temos dificuldades de identificar, pois há linhas muitas tênues que separam um tom do outro. O caminho aparentemente mais fácil para o João Sem Medo o levaria a muitos benefícios, porém ficaria sem a cabeça, enquanto o outro de maior sofrimento poderia ter um resultado melhor, mas também sem saber. Então, qual o melhor? A decisão não é tão simples assim.
  • Objetivos múltiplos – Muitas pessoas têm vários objetivos e isso faz com que se percam ao longo do caminho, pois querem tudo e às vezes, acabam ficando sem nada, pois não tomam decisões adequadas.
  • Diferentes pontos de vista – O descabeçado achava uma loucura João Sem Medo ir para o caminho cheio de pedregulhos porque lá seria apenas sofrimento e se percorresse o caminho que estava indicando seria bem feliz, pois sem a cabeça não precisaria pensar, apenas viver na bonança. Já João Sem Medo preferia ficar com sua cabeça e decidir por conta própria seus caminhos e acreditava que não é um caminho que definiria a sua infelicidade, mas sua própria vontade.
  • Gera possibilidade de mudança – Quantas pessoas reclamam que não têm resultados, mas continuam fazendo a mesma coisa? Os moradores da aldeia são os exemplos disso. Choram o dia todo, mas não fazem nada de diferente, pois a mudança pode ser assustadora. Você terá que aprender coisas diferentes, terá que lidar com novas situações, enfim, tomar decisões. João Sem Medo, ao contrário, queria sair da zona de conforto, ver um novo mundo.
  • Abrir mão de algo – João Sem Medo ao deixar sua aldeia abriu mão de sua zona de conforto, de sua mãe, de seus amigos para trilhar um caminho desconhecido, de novas aventuras e experiências. Na estória, não nos parece um grande sacrifício, porém quando nos deparamos no dia a dia, é algo que imobiliza muitas pessoas, pois elas gostariam de ter tudo, porém, em muitos momentos, precisamos definir algo para que possamos alcançar nosso objetivo.

Alguns pontos que me chamam atenção nessa estória e que gostaria de ressaltar:

  1. João Sem Medo chamou a fada para orientá-lo e ela não disse nada diferente do que ele imaginava, mas apenas para reafirmar sua decisão de seguir pelo caminho mais bonito; mesmo cismado de que isso parecia muito simples. Será que algumas pessoas não chamam “fadas” para ajudarem na decisão e no final não causam o resultado esperado? Precisamos contar com a opinião de pessoas que serão afetadas pela decisão e que poderão verdadeiramente nos ajudar a tomá-la, mas não qualquer pessoa. Às vezes, sabemos qual o caminho tomar e precisamos apenas que alguém valide para termos mais conforto. Outras vezes, vejo pessoas que chamam outras apenas para compartilhar a culpa se o resultado não for bom. Por isso, temos que mapear as pessoas mais adequadas e que podem nos ajudar.
  2. A fada diz que o caminho bonito leva à Felicidade e o outro à Infelicidade e João Sem Medo resolve ir pelo mais bonito, mesmo desconfiado. Temos que entender que as soluções nem sempre são simples, mas também nem sempre tão complicadas. Às vezes, temos a impressão de que está tudo muito fácil e por isso não devemos optar por este caminho e aí acabamos complicando tudo e não chegando a lugar nenhum. Ao entender os vários tipos de decisões que existem, conseguiremos identificar quando devemos ir por um caminho mais fácil e quando precisamos optar por outros. Por isso, uma análise é algo importante a ser feita sempre.
  3. Quando o descabeçado diz ao João Sem Medo que ele deveria ter a cabeça cortada para ser feliz porque não precisaria pensar, não poderia ter ideias perigosas e nem opinião me faz refletir sobre quantas pessoas “descabeçadas” temos por aí que não querem e não gostam de tomar decisões e vão sendo levadas pelas outras. Tomar decisões implica em responsabilidade e comprometimento e muitas pessoas não querem ter isso, preferem a sua “paz”. Por isso é interessante quando o descabeçado fala: “Que a paz e a estupidez estejam contigo”. Pessoas alienadas não sofrem porque pouco se importam com o que está acontecendo no mundo, não tem novas ideias e vão vivendo. Pessoas que pensam podem levar a empresa para um outro nível de engajamento, produtividade e resultado e isso pode ser “perigoso”, pois a empresa terá que enfrentar mudanças, sair da zona de conforto e poderá estar muito a frente de seus concorrentes.
  4. Ao decidir pelo caminho pedregoso João jura que não será infeliz porque não ele não queria. Esse é o ponto principal da questão de tomada de decisão. Talvez, para muitos não esteja claro, mas todas as decisões tomadas por João tinham um propósito: a busca da felicidade e é isso que facilita o processo. Quando não se tem a menor ideia do que se deseja, as pessoas ficam rodando no mesmo lugar. Quando se sabe onde se quer chegar, tem um objetivo, as decisões vão sendo tomadas para convergir para isso. As decisões empacam porque não há um norte e além disso, o tomador de decisão deve assumir a responsabilidade por ela, o que muitos não querem.

Tomar decisões é um hábito, quanto mais se pratica, mais o processo é facilitado. Experiências fazem a diferença. Sair da zona de conforto, lidar com pessoas, enfrentar o medo da complexidade e da responsabilidade pode te fazer um expert nas decisões pessoais, profissionais ou empresariais.

Se você quer o dono de sua vida, tome decisões! Caso contrário, não reclame se as pessoas tomarem por você. A vida não aceita vácuo…

Lembre-se disso!