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Como escolher pessoas para sua equipe?

Nessa semana, fui buscar minha filha na escola e ela já entrou no carro falando (como sempre!): “Mamãe, hoje teve educação física e minha amiga é que tinha a responsabilidade de escolher quem ela queria para o time dela de queimada e fez a maior burrada! A escolha dela foi por amizade e eu falei para ela que isso não ia dar certo! Ela primeiro escolheu as amigas e depois os amigos para completar o time e a maioria é tudo ruim! Qual foi o resultado? Lógico que perdemos e aí ela falou que era apenas uma brincadeira e eu respondi que tudo bem, mas a gente poderia ter ganhado se ela tivesse escolhido um time bom!”

Foi o gancho que peguei para confirmar o pensamento dela, estruturar melhor o aprendizado para ela e ter um insight para escrever esse artigo.

Quantos de nós já fizemos isso quando crianças? E quantos de nós fizemos isso ao chegar em uma posição de liderança? Chamarmos amigos para trabalhar conosco, afinal nos damos tão bem que o trabalho vai ser uma diversão!

Pois é… o trabalho pode e deve ser divertido, caso contrário, não aguentamos as pressões e os desafios do dia a dia, porém ele precisa atingir um determinado resultado e para que isso aconteça, precisamos estruturar uma equipe que consiga atingi-lo.

Conheço líderes que contratam seguindo os seguintes requisitos: parece legal, divertido e “bonitinho”. Utilizam ainda das perguntas: “Qual seu maior defeito? Qual sua maior qualidade? Qual seu hobbie?”. O que isso vai impactar nas atividades do dia a dia? Impactaria se as respostas fossem verdadeiras e o que na maioria dos casos não são, pois as pessoas já estão treinadas para responder a essas perguntas. Será que alguém vai responder que o maior defeito é ter dificuldade em trabalhar em equipe? Lógico que não! Eu já sei a resposta mais comum: “Sou perfeccionista!”.

Também conheço líderes que contratam apenas quem se parece com eles, que pensam como eles e qual o resultado? Normalmente, uma equipe sem divergências é uma equipe morna porque novas ideias não aparecem, não há questionamentos e isso faz com que ninguém evolua. Não estou dizendo para haver confrontos, brigas, mas quando alguém pensa diferente faz com que outro ponto de vista seja visto e analisado, algo talvez nunca pensado e surge um processo inovativo.

Na posição de liderança, precisamos ter na equipe pessoas diversas e não falo isso apenas sobre gênero, cor ou raça, mas de competências e habilidades diversas. Às vezes, um tímido que é um excelente executor, um extrovertido que consegue negociar prazos e atividades, um conciliador para lidar com conflitos e assim, por diante.

Algumas pessoas podem me perguntar: “Mas, Valeria e se eu cheguei com a equipe montada? Não tenho como escolher!”

Errado! Você sempre tem escolhas! Terá que passar por um processo de conhecimento da equipe… quem é quem, quem faz melhor o quê, quais as competências e habilidades de cada um e isso fará com que você consiga mapear a sua equipe para fazer um planejamento para alcançar o resultado desejado. Talvez, você terá que demitir? Talvez sim, é uma escolha!

Se você não tem como escolher quem fará parte da sua equipe, você pode adequar as atividades para cada um.

Na maioria das vezes em minha vida profissional, assumi equipes já estruturadas e já tive de demitir, trocar de função, trocar de área, contratar e até recontratar. Atualmente, por exemplo, tenho na minha equipe três designers e ao longo do tempo, fui conhecendo cada um. Hoje, sei o que cada um tem mais habilidade, prazos de entrega, o que gostam mais ou gostam menos de fazer (porque isso impacta na qualidade ou no tempo de execução) e várias outras questões. Cada um tem seu “talento” e assim direciono as atividades de acordo com o perfil de cada um. E o resultado? Entregas no prazo e com a qualidade desejada.

Não quer dizer que eu não erre ao contratar, mas os anos de experiência me fizeram errar bem menos. E como escolho as pessoas para trabalhar comigo?

Primeiro, verifico quais os resultados quero que o profissional atinja, quais as funções que deverá executar, tenho que ter claro o papel que ele desempenhará para que eu possa informá-lo.

Normalmente, o primeiro contato é o currículo, um documento claro, objetivo e que traz as informações necessárias que me atraiam e depois parto para a entrevista.

Na entrevista, gosto de saber um pouco de histórias da vida pessoal (não quero dizer íntima) e profissional para verificar se somos guiados pelos mesmos valores, pois se tivermos valores distintos poderá haver confrontos. Vou dar um exemplo: se o entrevistado me conta uma história onde buscou levar vantagem em alguma situação sobre outra pessoa, vejo que ele não compartilha do mesmo valor que eu e da empresa onde estou e esse comportamento pode afetar em algum momento o andamento do trabalho. Decido pela não contratação.

Por meio das histórias, verifico se gosta de desafios, como lida com eles; casos de sucesso e fracasso, isso principalmente é importante para saber se tem foco em soluções e como lida com o erro que para mim , particularmente, é um comportamento primordial. As histórias são reais, as pessoas não têm tempo para inventarem e quando inventam, consigo detectar facilmente, pois vou fazendo perguntas sobre o que elas falam.

Gosto de gente ousada, isso não quer dizer irresponsável, mas de pessoas que dentro de suas limitações conseguiram ter ideias interessantes e fizeram algo desafiador. Prefiro ter que segurar pessoas da minha equipe porque são inovadoras do que ter que empurrar para terem alguma atitude.

Se a sua equipe não deslancha, a responsabilidade é de quem? Sinto te dizer, mas é sua! É falta de ter uma atitude como líder, de fazer o que deve ser feito para que ela alcance os resultados que talvez, ela nem saiba quais são porque você não deixou claro.

Ter uma equipe de alta performance vai depender muito das escolhas que VOCÊ, como líder, faz e fará.

É fácil? Claro que não, afinal você lida com pessoas que têm pensamentos e sentimentos diversos, mas enfim, se você decidiu ser um líder, bem-vindo ao mundo das escolhas diárias.

 

 

 

 

 

 


sentido da vida

Descubra o sentido da sua vida para fazer melhores escolhas

 

Tudo tem um propósito, até as máquinas. Os relógios dizem as horas, os comboios levam-nos a lugares, fazem o que é para fazerem. Talvez por isso as máquinas avariadas me deixam tão triste. Elas não fazem aquilo que estão destinadas a fazer.

 Talvez seja o mesmo com as pessoas. Perder o propósito é como estar avariado (…)

 Eu imaginava que o mundo todo era uma grande máquina. As máquinas nunca vêm com peças a mais. Elas vêm sempre com a quantidade exata de que precisam. Então eu pensei que se o mundo todo fosse uma grande máquina, eu não poderia ser uma peça a mais.

 Eu tinha de estar aqui por alguma razão.

 Filme, A invenção de Hugo Cabret

 

Quando li esse texto em um e-book de Joana Areias, fiquei refletindo mais uma vez sobre a dificuldade das pessoas em encontrarem o sentido de sua vida, seu propósito e poucas entendem que isso prejudica a tomada de decisões.

Talvez, realmente, muitas estejam “avariadas” e aqui podemos dizer que perderam sua motivação, um motivo para querer fazer as coisas, de pertencerem a algo. Dessa forma, vão vivendo…

Percorro as empresas ministrando treinamentos para funcionários, converso com as pessoas nas redes sociais e percebo que cada vez mais encontro pessoas que me dizem perdidas, que não encontram um motivo para acordarem e irem para seu trabalho e até falta ânimo para fazerem coisas que dizem gostar. Dizem que não conseguem decidir qual rumo querem tomar.

Se você começar a analisar as postagens do Facebook, não faltarão frases de incentivos, motivacionais e de puro “desespero” por não encontrar uma razão de estar aqui.

Quando fiz minha formação para coach, tive que me deparar com essa questão: “Qual é o seu propósito?” e tenho que confessar que foi uma das coisas mais difíceis para estabelecer, pois exige autoconhecimento, entender sua história, enfrentar seus medos, reconhecer seus pontos positivos e negativos. Foi um verdadeiro mergulho na minha alma e que valeu a pena, porém foram meses pensando, escrevendo, reescrevendo até eu conseguir traduzir meu propósito em uma única palavra: TRANSFORMAR.

Ao encontrar seu propósito, você conseguirá claramente definir qual empresa você deseja trabalhar, qual tipo de trabalho quer ter, os hobbies que farão você feliz, as pessoas que você deseja que compartilhem de sua vida, lugares que você vai querer visitar, enfim, FAZER MELHORES ESCOLHAS e que façam total sentido para você.

O que quero dizer?

Vou utilizar o meu exemplo. Mesmo antes de ter claro meu propósito, escolhi indústrias para trabalhar e por que isso aconteceu mesmo inconscientemente? Porque são ambientes de transformação e eu adorava passear na área de produção, aquilo verdadeiramente me emocionava e ainda me emociona quando visito alguns clientes. É a mágica da transformação da matéria-prima em um produto desejado pelas pessoas.

Depois de descobrir meu propósito, escolhi trabalhar para consultorias que tinham como missão a transformação de pessoas e também atuar no Terceiro Setor foi uma escolha para buscar a transformação da realidade das pessoas nas empresas. Minhas decisões profissionais se tornaram cada vez mais simples, pois estão conectadas ao meu propósito. Já falei alguns “nãos” para empresas que percebi que apenas visavam o lucro simplesmente, apesar de os honorários serem bem atrativos. E isso tem me trazido muito mais resultado!

Outra decisão que tomei foi mudar de cidade, saí de Mogi das Cruzes e fui para Santos. Algo que poderia transformar positivamente a minha vida e da minha família. Um local onde teríamos muito mais qualidade de vida, mais tempo para nós e isso fez toda a diferença. Tanto que quando trabalhei em São Paulo, decidi não levar minha família, pois era algo que traria um impacto muito ruim em nossas vidas.

Eu AMO cozinhar e apesar de muitas vezes mesmo cansada, eu vou para a cozinha e faço algo bem gostoso e diferente e por que isso me dá ânimo e sempre encontro um tempinho para fazer isso? Porque ao cozinhar estou exercitando meu PROPÓSITO, estou TRANSFORMANDO ingredientes que por si só são sem graça em algo que minha família diz: “Nossa! Ficou muito bom!” e isso me traz uma alegria enorme que me dá disposição cada vez mais.  O reconhecimento de um resultado, de uma habilidade conquistada.

Enquanto você não entende qual é o seu propósito, o sentimento de deslocamento vai existir muitas vezes, a falta de vontade de fazer as coisas, de trabalhar, de se divertir. Você pode estar em Nova Iorque e até achar legal, mas não será a melhor coisa da vida. Porém, quando você descobre o propósito, você poderá estar no quintal de casa e tudo tem um sentido enorme em sua vida.

Várias pessoas me perguntam: “Como você consegue fazer tanta coisa? Como você consegue tempo e disposição? ”. É isso aí, o segredo é: PROPÓSITO!

Ter um propósito claro me faz tomar decisões muito mais rápidas e dessa forma, executo muito mais coisas. Sei o que é realmente importante em minha vida, dessa forma, não perco tempo com atividades ou pessoas que não estão ligadas ao que acredito. Percebo que consigo tomar minhas decisões com muito mais tranquilidade e assertividade, pois estão conectadas ao meu estilo e forma de ver a vida. Apesar da descoberta de um propósito ter sido algo complexo, a tomada de decisões se tornou muito mais simples em minha vida.

Faço um convite: que tal começar a entender qual a razão de você estar aqui? Que tal tomar melhores decisões?