sentido da vida

Descubra o sentido da sua vida para fazer melhores escolhas

 

Tudo tem um propósito, até as máquinas. Os relógios dizem as horas, os comboios levam-nos a lugares, fazem o que é para fazerem. Talvez por isso as máquinas avariadas me deixam tão triste. Elas não fazem aquilo que estão destinadas a fazer.

 Talvez seja o mesmo com as pessoas. Perder o propósito é como estar avariado (…)

 Eu imaginava que o mundo todo era uma grande máquina. As máquinas nunca vêm com peças a mais. Elas vêm sempre com a quantidade exata de que precisam. Então eu pensei que se o mundo todo fosse uma grande máquina, eu não poderia ser uma peça a mais.

 Eu tinha de estar aqui por alguma razão.

 Filme, A invenção de Hugo Cabret

 

Quando li esse texto em um e-book de Joana Areias, fiquei refletindo mais uma vez sobre a dificuldade das pessoas em encontrarem o sentido de sua vida, seu propósito e poucas entendem que isso prejudica a tomada de decisões.

Talvez, realmente, muitas estejam “avariadas” e aqui podemos dizer que perderam sua motivação, um motivo para querer fazer as coisas, de pertencerem a algo. Dessa forma, vão vivendo…

Percorro as empresas ministrando treinamentos para funcionários, converso com as pessoas nas redes sociais e percebo que cada vez mais encontro pessoas que me dizem perdidas, que não encontram um motivo para acordarem e irem para seu trabalho e até falta ânimo para fazerem coisas que dizem gostar. Dizem que não conseguem decidir qual rumo querem tomar.

Se você começar a analisar as postagens do Facebook, não faltarão frases de incentivos, motivacionais e de puro “desespero” por não encontrar uma razão de estar aqui.

Quando fiz minha formação para coach, tive que me deparar com essa questão: “Qual é o seu propósito?” e tenho que confessar que foi uma das coisas mais difíceis para estabelecer, pois exige autoconhecimento, entender sua história, enfrentar seus medos, reconhecer seus pontos positivos e negativos. Foi um verdadeiro mergulho na minha alma e que valeu a pena, porém foram meses pensando, escrevendo, reescrevendo até eu conseguir traduzir meu propósito em uma única palavra: TRANSFORMAR.

Ao encontrar seu propósito, você conseguirá claramente definir qual empresa você deseja trabalhar, qual tipo de trabalho quer ter, os hobbies que farão você feliz, as pessoas que você deseja que compartilhem de sua vida, lugares que você vai querer visitar, enfim, FAZER MELHORES ESCOLHAS e que façam total sentido para você.

O que quero dizer?

Vou utilizar o meu exemplo. Mesmo antes de ter claro meu propósito, escolhi indústrias para trabalhar e por que isso aconteceu mesmo inconscientemente? Porque são ambientes de transformação e eu adorava passear na área de produção, aquilo verdadeiramente me emocionava e ainda me emociona quando visito alguns clientes. É a mágica da transformação da matéria-prima em um produto desejado pelas pessoas.

Depois de descobrir meu propósito, escolhi trabalhar para consultorias que tinham como missão a transformação de pessoas e também atuar no Terceiro Setor foi uma escolha para buscar a transformação da realidade das pessoas nas empresas. Minhas decisões profissionais se tornaram cada vez mais simples, pois estão conectadas ao meu propósito. Já falei alguns “nãos” para empresas que percebi que apenas visavam o lucro simplesmente, apesar de os honorários serem bem atrativos. E isso tem me trazido muito mais resultado!

Outra decisão que tomei foi mudar de cidade, saí de Mogi das Cruzes e fui para Santos. Algo que poderia transformar positivamente a minha vida e da minha família. Um local onde teríamos muito mais qualidade de vida, mais tempo para nós e isso fez toda a diferença. Tanto que quando trabalhei em São Paulo, decidi não levar minha família, pois era algo que traria um impacto muito ruim em nossas vidas.

Eu AMO cozinhar e apesar de muitas vezes mesmo cansada, eu vou para a cozinha e faço algo bem gostoso e diferente e por que isso me dá ânimo e sempre encontro um tempinho para fazer isso? Porque ao cozinhar estou exercitando meu PROPÓSITO, estou TRANSFORMANDO ingredientes que por si só são sem graça em algo que minha família diz: “Nossa! Ficou muito bom!” e isso me traz uma alegria enorme que me dá disposição cada vez mais.  O reconhecimento de um resultado, de uma habilidade conquistada.

Enquanto você não entende qual é o seu propósito, o sentimento de deslocamento vai existir muitas vezes, a falta de vontade de fazer as coisas, de trabalhar, de se divertir. Você pode estar em Nova Iorque e até achar legal, mas não será a melhor coisa da vida. Porém, quando você descobre o propósito, você poderá estar no quintal de casa e tudo tem um sentido enorme em sua vida.

Várias pessoas me perguntam: “Como você consegue fazer tanta coisa? Como você consegue tempo e disposição? ”. É isso aí, o segredo é: PROPÓSITO!

Ter um propósito claro me faz tomar decisões muito mais rápidas e dessa forma, executo muito mais coisas. Sei o que é realmente importante em minha vida, dessa forma, não perco tempo com atividades ou pessoas que não estão ligadas ao que acredito. Percebo que consigo tomar minhas decisões com muito mais tranquilidade e assertividade, pois estão conectadas ao meu estilo e forma de ver a vida. Apesar da descoberta de um propósito ter sido algo complexo, a tomada de decisões se tornou muito mais simples em minha vida.

Faço um convite: que tal começar a entender qual a razão de você estar aqui? Que tal tomar melhores decisões?

 


emoções, tomada de decisões

O que os filmes de animação podem te ensinar sobre as Emoções na tomada de decisões?

Quando falo sobre tomada de decisões, um dos aspectos que abordo e que é fundamental é como as emoções impactam em nossas decisões.

Muitas pessoas me dizem que é muito difícil separar a razão da emoção, porém é necessária essa cisão, pois se tomarmos atitudes no calor das emoções, podemos nos arrepender profundamente. Decisões devem ser tomadas de forma racional.

Quero abordar esse tema utilizando algo que gosto muito: os filmes de animação. Há muitos anos, não consigo mais assistir a esse tipo de filme sem fazer uma análise mais profunda das mensagens que ele traz.

Mensagens pouco entendidas pelas crianças (e talvez até por adultos), mas que podem nos fazer refletir e tirar excelentes aprendizados!

Quero trazer dois filmes que exploram como as emoções podem afetar nossa tomada de decisões: Angry Birds e Divertidamente.

Só um alerta, este texto contém spoilers (rsrs). Depois não diga que eu não avisei!

emoções, raiva, red

Angry Birds é um filme bobo! Será?

No filme Angry Birds, há um personagem chamado Red, um pássaro mal humorado e “super” sincero que quando sai do sério não consegue controlar sua raiva e fica totalmente fora de controle. Por isso, vive fora de sua comunidade para alívio dos outros habitantes.

Depois de mais uma explosão emocional é enviado para um centro de controle de emoções onde conhece outros pássaros que juntos vão passar por alguns apuros.

Os pássaros recebem a visita de alguns porcos e Red acredita que tem alguma coisa de errado, mostra alguns fatos que descobriu, mas pela sua personalidade explosiva já conhecida por todos, ninguém acredita até que os porcos roubam todos os ovos dos pássaros que verificam que Red tinha razão.

Nesse momento, Red diz que é momento de todos sentirem raiva, pois ela fará com que todos lutem para buscarem seus ovos. Nesse momento, os pássaros conseguem descobrir seus “super poderes” e atingem seu objetivo.

Red nos mostra duas formas da raiva:

  1. Uma que nos tira a razão, perdemos o equilíbrio emocional, tomamos decisões erradas e agimos de forma inconsequente, gerando um profundo arrependimento, pois somos julgados e podemos ficar estigmatizados. Perdemos relacionamentos e credibilidade.
  2. Outra que pode nos mobilizar para um resultado, quando conseguimos parar, pensar e direcionar a raiva para ações mais efetivas em prol de um objetivo que desejamos e assim atingi-lo.

Exemplo: Alguém te diz que você é incapaz de fazer determinado trabalho. Você pode sair gritando, esbravejando e perder o controle e sair como louco da situação ou você pode parar e pensar como pode mostrar realmente o que é capaz de executar, despertando habilidades que nem imaginava.

emoções, raiva, tristeza, alegria, medo, nojo

E o que Divertidamente pode te ensinar?

Divertidamente que é um filme que retrata nossas emoções básicas em forma de cinco personagens: Alegria, Tristeza, Raiva, Nojo e Medo.

Conta a estória como uma menina de 11 anos chamada Riley que precisa aprender a lidar com suas emoções ao se mudar de cidade com os seus pais.

O cérebro é mostrado como um quartel general onde as emoções residem e controlam os sentimentos e ações de Riley. Lá estão armazenadas as memórias base, isto é, as memórias mais marcantes da vida e são elas que mantêm sólidas as ilhas da personalidade, no caso da Riley: Hóquei (o esporte que ela mais gosta), Palhaçada (as brincadeiras feitas entre ela e seus pais), Amizade (lembranças de sua melhor amiga), Honestidade (valor alimentado por seus pais) e Família (na tristeza ou na alegria, sempre estiveram juntos).

As lembranças de Riley são representadas por inúmeras bolas coloridas: amarela (Alegria), azul (Tristeza), verde (Medo), roxo (Nojo) e vermelho (Raiva). No dia da mudança de Riley, várias bolas verdes foram geradas demonstrando o medo pelo fato e assim, várias bolas (lembranças) vão sendo geradas ao longo da estória.

Depois de um tempo, várias lembranças são deixadas para trás (subconsciente) até que elas se apagam (inconsciente).

A mudança de cidade da família é apenas o pano de fundo para mostrar a mudança da fase de criança para a adolescência de Riley e como as emoções a fazem agir.

Por um problema ocorrido na sala de controle, as memórias base foram perdidas e Alegria e Tristeza estão fora, buscando recuperá-las. E quem fica no comando? A Raiva!

A primeira ilha a cair é a da Palhaçada que mostra que aquela criança não existe mais quando Riley não vê mais graça nas brincadeiras do pai, pois está com Raiva dessa mudança.

A segunda foi o da Amizade ao perceber que sua melhor amiga está empolgada com uma outra e assim com Raiva, deixa a amiga.

A ilha do Hóquei é a terceira a cair, pois ao fazer um teste para o time devido ao seu nervosismo, acaba não tendo resultados, não consegue ter um controle emocional, deixa a Raiva, mais uma vez, tomar conta dela e decide assim, abandonar o esporte que tanto ama.

Raiva decide “implantar” uma ideia na Riley: fugir de São Francisco e para isso, ela decide roubar a mãe e pega o cartão na bolsa dela, cai a ilha da Honestidade. O Medo busca persuadir a Raiva, mas ela é mais forte e não consegue. Assim, as lembranças começam a desmoronar.

Alegria acreditava que a vida poderia ser feita apenas de momentos bons, buscando a todo custo evitar que Riley tivesse outras emoções, principalmente Tristeza, mas com a jornada em busca das memórias base, ela percebe que não, que a vida é feita de uma mescla de todas. Alegria se lembra de um momento em que Riley estava triste porque havia perdido um gol no jogo de hóquei, porém seus pais foram consolá-las e logo em seguida, todo o time de hóquei também e assim ela ficou muito feliz. Alegria entendeu que muitas vezes a felicidade é acompanhada de uma tristeza.

Quando Riley embarca no ônibus para fugir, a ilha da Família começa a desmoronar e Raiva se arrepende, mas não consegue mudar a situação. Percebe-se que Riley está tão confusa que não consegue mais entender suas emoções.

Tristeza chega na sala do comando e consegue reverter a situação, fazendo com que Riley retorne para casa e consiga conversar com seus pais, demonstrando toda a Tristeza que sente e os pais a compreendem. Alegria e Tristeza geram uma bola mesclada de amarelo e azul que representa esse momento e assim, a ilha da Família é reconstruída.

No final, vemos que algumas ilhas que desmoronaram foram substituídas refletindo as fases da vida adolescente de Riley e as lembranças são representadas por bolas de cores mescladas, mostrando que nossas lembranças não são compostas de emoções únicas. A Alegria, às vezes, é acompanhada de uma Tristeza profunda. O Medo pode se transformar em Raiva e assim por diante.

Podemos também perceber que em Divertidamente se não há controle das emoções, as decisões podem ter resultados desastrosos como no caso de Riley que se deixou levar pela Raiva.

O filme é muito intenso! Dificilmente, conseguiria reproduzi-lo com todos os detalhes e insights que tive e que provavelmente você tenha outros. Por isso, vale a pena assistir!

Cuide das suas emoções para não se arrepender depois

No livro Blink de Malcolm Gladwen há uma citação sobre Dave Grossman (antigo tenente-coronel do exército) que afirma que o estado ótimo de “excitação” – a faixa dentro da qual o estresse melhora o desempenho – ocorre quando nossos batimentos cardíacos estão entre 115 e 145 por minuto. Acima de 145 batimentos, começamos a ter problemas de cognição e quando atingimos 175, há um colapso absoluto de processamento cognitivo. Nesse momento, nossas decisões são totalmente impactadas pelas emoções sem nenhum vestígio de racionalidade.

Dessa forma, devemos aprender a entender nossas emoções para podermos pensar melhor e tomarmos melhores decisões.

Eu tenho um mantra quando percebo que estou sendo dominada por fortes emoções: “Pare, pense, planeje e decida”. Quando digo fortes emoções, não quero dizer apenas as consideradas “ruins”, como o medo e a raiva; mas também precisamos cuidar da alegria.

Quando estamos “excessivamente” alegres também podemos tomar decisões erradas, recheadas de um otimismo exagerado e isso pode ser desastroso.

Outra emoção sobre a qual recebo muitas perguntas é o que fazer com o medo, como lidar com ele? O medo não é de todo um sentimento ruim, pois ele nos mantém atento para não corrermos grandes riscos. Imagine se ao atravessar a rua você não tivesse medo de ser atropelado? Provavelmente, não olharia para os 2 lados, não é? Porém, o medo se torna um sentimento ruim quando ele te bloqueia totalmente para qualquer ação e aí sim, precisa ser trabalhado para que possa ser transformado em um processo de análise de riscos e dessa forma, tomar uma decisão.

Vocês perceberam que as emoções podem ser boas em alguns momentos e ruins em outras? Depende de como você as utiliza!

autoconhecimento

Busque o autoconhecimento, esse é o caminho para uma melhor tomada de decisões

Faça esse exercício:

  1. Identifique suas emoções
  2. Como elas se manifestam e como você se comporta?
  3. Quais decisões tomou impactadas por qual emoção? Qual foi o resultado?
  4. O que você pode fazer quando for tomado por determinada emoção?

Além do meu mantra, uma outra ação que me ajuda muito é escrever, principalmente quando estou com raiva. Escrevo tudo o que gostaria de falar e normalmente quando chego no final, releio o que escrevi e apago tudo porque a vontade de despejar aquelas palavras para determinada pessoa, passou e assim não faço algo que depois me arrependa. Ou então, o texto me serve de subsídio para elaborar alguma estratégia para planejar meus próximos passos. Que tal experimentar?

Deixe seus comentários nesse post! Quem sabe você pode ajudar outras pessoas a lidar com suas emoções dando algumas dicas!

 

 

 

 

 


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Resiliência – você sabe o que é isso?

Na engenharia, resiliência é a resistência e a flexibilidade de uma edificação necessária para que ela não desabe mediante às forças da natureza. Há algum tempo, o mundo corporativo passou a adotar este conceito como uma competência profissional imprescindível aos profissionais que desejam alcançar bons resultados.

Profissionais resilientes são aqueles que conseguem se manter em equilíbrio apesar das pressões, tensões e adversidades da vida moderna.

Nos processos de seleção das empresas, a resiliência é uma competência procurada nos profissionais. E no mundo empreendedor, ela sempre foi necessária, apesar de muitos empresários nunca terem ouvido o termo.

A pessoa que decide empreender, desde o princípio, precisa se manter equilibrada apesar de todos os obstáculos e problemas que ocorrem no dia-a-dia (e olha que não são poucos). Caso esse equilíbrio não ocorra, o empreendedor não consegue tomar decisões e agir para buscar as melhores soluções e o negócio pode acabar tendo muitos problemas. Até porque muitas empresas dependem da decisão apenas dessa pessoa.

Pode até parecer um paradoxo: ter resistência e flexibilidade, mas não é. Ao mesmo tempo, o empreendedor precisa suportar as pressões do negócio e ter flexibilidade (jogo de cintura) para tomar as melhores decisões.

E você? Tem a capacidade de resiliência ou desmorona na primeira dificuldade?


12-Homens-e-Uma-Sentença

Filme: “Doze homens e uma sentença”

Alguns vão pensar que escrevi o nome do filme errado, acreditando ser “12 homens e um segredo”, mas não é. Este é um filme “um pouco antigo”, de 1957 com Henry Fonda bem novinho e por incrível que pareça ele se passa 97% do tempo em uma pequena sala. O que poderia parecer monótono, se torna uma incrível e dinâmica cena.

Doze homens participam de um júri para culpar ou inocentar um rapaz pela morte de seu pai, porém a justiça americana deixa bem claro: se você não tiver certeza da culpa do réu, deve inocentá-lo. Os onze jurados querem terminar logo com a situação e declaram culpado o réu, porém o jurado número 8 não tem certeza e começa a questionar cada um dos outros onze. Até porque acredita que um processo de tomada de decisão não pode ser feito tão rapidamente, afinal é a vida de um ser humano.

Podemos ver claramente neste filme, como as pessoas são levadas a tomar decisões levando em conta apenas seu interesse (um dos jurados quer ir logo embora, pois tem um jogo para assistir) e a grande maioria utiliza acontecimentos em sua vida, preconceitos, crenças e valores (vários jurados utilizaram critérios como a raça, situação financeira, relacionamento com filho) para tomar a decisão e julgar o réu.

O jurado número 8 (Henry Fonda) em nenhum momento defende a inocência do rapaz, mas provoca os outros jurados a pensarem e apesar do filme ser antigo, ele é muito atual, pois nos faz refletir em quantas decisões tomamos guiados pela emoção e simplesmente fazemos julgamentos presos em nosso passado.

No mundo empresarial, quantas vezes julgamos um cliente, um fornecedor ou um funcionário por ele se parecer com um outro com o qual tivemos problemas, ao invés de analisarmos individualmente. Por exemplo, um fornecedor foi desleal e passa-se a acreditar que todos serão; um cliente não pagou e passa-se a acreditar que todos serão devedores; um funcionário deu um desfalque e passa-se a acreditar que todos são desonestos.

Na nossa vida pessoal quantas vezes também tomamos decisões baseadas em alguns “pré-conceitos”, por exemplo: todo adolescente não quer saber de nada, todo tatuado não é do bem, todo nerd vai ficar rico e assim vai…

Se continuar a pensar dessa forma, nunca construirá relações que levem te levem ao crescimento, pois apenas ficará se munindo de armas para lutar contra o mundo.

Julgamentos, preconceitos e paradigmas são muito prejudiciais às pessoas, pois podem perder inúmeras oportunidades. São grandes erros cometidos quando tratamos da questão do processo de tomada de decisões.

Devemos seguir o exemplo do jurado número 8 e começar a questionar mais, pensar mais e buscar novas formas de ver o mundo, procurar alternativas inovadoras. Provavelmente, você se surpreenderá ao mudar esse comportamento.

 

 


A dificuldade em tomar decisões

joao sem medoGostaria de começar esse artigo narrando uma parte de um livro português de 1973 chamado “As Aventuras de João Sem Medo”.

João morava em uma aldeia e ninguém se atrevia a atravessar a floresta, os moradores choravam de manhã até a noite e não tinham força para nada. O único que não se comportava dessa maneira era João que era chamado João Sem Medo.

Um dia, João resolveu saltar o muro, mesmo contrariando sua mãe e entrou na floresta e depois de algum tempo se deparou com dois caminhos (clássico em várias estórias): um asfaltado, cheio de amendoeiras em flor e outro, pedregoso com espinhos e urtigas.

Pensou: “Aqui estão os dois caminhos: o do Bem e o do Mal”.

João pediu a presença de uma fada (como nos contos) e apareceu um homem fantasiado de fada e disse que o caminho bom conduzia à Felicidade e o mau, à Infelicidade.

Assim, João decidiu ir pelo caminho mais bonito, mesmo achando muito fácil isso.

Ao entrar nesse caminho, encontrou uma figura monstruosa sem cabeça, com os olhos no peito e a boca no estômago e que disse: “Que a paz e a estupidez estejam contigo” e perguntou se ele estava preparado para a operação.

João perguntou sobre a operação e o descabeçado disse que ninguém poderia seguir o caminho que leva à Felicidade Completa sem consentir que lhe cortem a cabeça para não pensar, não ter opinião nem criar piolhos ou ideias perigosas; além de trazer nos pés e nas mãos correntes de ouro.

João recusa esse caminho mesmo o descabeçado dizendo que teria tudo de graça, se escolhesse o outro caminho sofreria e até dizer que poderia manter sua cabeça, apenas sugando o que estivesse dentro dela.

Assim, João segue para o outro caminho dizendo que jurava que não seria infeliz porque ele NÃO queria.

Essa parte da estória retrata bem o por quê das pessoas terem dificuldades para tomarem decisões.

Decisões acontecem a todo minuto, desde o momento em que você desperta e decide se levanta naquele momento ou fica mais 5 minutos na cama, o que vai vestir, o que vai comer, o que fará com aquele contrato, mudar ou não de emprego, como vai abordar um novo cliente, vender ou não a empresa, enfim, da mais simples à mais complexa, decisões fazem parte do nosso dia a dia.

E por que muitas pessoas sofrem para tomar decisões?

Vamos descrever os fatores que dificultam a tomada de decisões:

  • Incerteza –  Os moradores da aldeia do João Sem Medo têm medo do desconhecido, por isso decidem não sair de algo que pode não ser o melhor, mas é conhecido e por ser conhecido sabem como lidar com ele. Definitivamente, nunca saberemos se tomamos a melhor decisão e isso faz com que as pessoas adiem ou demorem muito tempo para decidir, pois querem ter a certeza de que estão dando o passo correto. Digo que precisamos pensar, analisar e decidir pelo o que é melhor para AQUELE momento. Não adianta sofrer pelo caminho não percorrido, pois nunca saberemos o resultado dele. O que precisamos é transpor os obstáculos que aparecerão no caminho que decidimos tomar, enfim, talvez sejam necessárias outras decisões. Querer ter a certeza faz com que as pessoas não saiam do lugar.
  • Complexidade – João Sem Medo citou os dois caminhos: um do Bem e outro do Mal, como se fosse fácil identificar um e outro. O mundo é complexo, ele não é preto ou branco, ele tem vários tons de cinza que muitas vezes temos dificuldades de identificar, pois há linhas muitas tênues que separam um tom do outro. O caminho aparentemente mais fácil para o João Sem Medo o levaria a muitos benefícios, porém ficaria sem a cabeça, enquanto o outro de maior sofrimento poderia ter um resultado melhor, mas também sem saber. Então, qual o melhor? A decisão não é tão simples assim.
  • Objetivos múltiplos – Muitas pessoas têm vários objetivos e isso faz com que se percam ao longo do caminho, pois querem tudo e às vezes, acabam ficando sem nada, pois não tomam decisões adequadas.
  • Diferentes pontos de vista – O descabeçado achava uma loucura João Sem Medo ir para o caminho cheio de pedregulhos porque lá seria apenas sofrimento e se percorresse o caminho que estava indicando seria bem feliz, pois sem a cabeça não precisaria pensar, apenas viver na bonança. Já João Sem Medo preferia ficar com sua cabeça e decidir por conta própria seus caminhos e acreditava que não é um caminho que definiria a sua infelicidade, mas sua própria vontade.
  • Gera possibilidade de mudança – Quantas pessoas reclamam que não têm resultados, mas continuam fazendo a mesma coisa? Os moradores da aldeia são os exemplos disso. Choram o dia todo, mas não fazem nada de diferente, pois a mudança pode ser assustadora. Você terá que aprender coisas diferentes, terá que lidar com novas situações, enfim, tomar decisões. João Sem Medo, ao contrário, queria sair da zona de conforto, ver um novo mundo.
  • Abrir mão de algo – João Sem Medo ao deixar sua aldeia abriu mão de sua zona de conforto, de sua mãe, de seus amigos para trilhar um caminho desconhecido, de novas aventuras e experiências. Na estória, não nos parece um grande sacrifício, porém quando nos deparamos no dia a dia, é algo que imobiliza muitas pessoas, pois elas gostariam de ter tudo, porém, em muitos momentos, precisamos definir algo para que possamos alcançar nosso objetivo.

Alguns pontos que me chamam atenção nessa estória e que gostaria de ressaltar:

  1. João Sem Medo chamou a fada para orientá-lo e ela não disse nada diferente do que ele imaginava, mas apenas para reafirmar sua decisão de seguir pelo caminho mais bonito; mesmo cismado de que isso parecia muito simples. Será que algumas pessoas não chamam “fadas” para ajudarem na decisão e no final não causam o resultado esperado? Precisamos contar com a opinião de pessoas que serão afetadas pela decisão e que poderão verdadeiramente nos ajudar a tomá-la, mas não qualquer pessoa. Às vezes, sabemos qual o caminho tomar e precisamos apenas que alguém valide para termos mais conforto. Outras vezes, vejo pessoas que chamam outras apenas para compartilhar a culpa se o resultado não for bom. Por isso, temos que mapear as pessoas mais adequadas e que podem nos ajudar.
  2. A fada diz que o caminho bonito leva à Felicidade e o outro à Infelicidade e João Sem Medo resolve ir pelo mais bonito, mesmo desconfiado. Temos que entender que as soluções nem sempre são simples, mas também nem sempre tão complicadas. Às vezes, temos a impressão de que está tudo muito fácil e por isso não devemos optar por este caminho e aí acabamos complicando tudo e não chegando a lugar nenhum. Ao entender os vários tipos de decisões que existem, conseguiremos identificar quando devemos ir por um caminho mais fácil e quando precisamos optar por outros. Por isso, uma análise é algo importante a ser feita sempre.
  3. Quando o descabeçado diz ao João Sem Medo que ele deveria ter a cabeça cortada para ser feliz porque não precisaria pensar, não poderia ter ideias perigosas e nem opinião me faz refletir sobre quantas pessoas “descabeçadas” temos por aí que não querem e não gostam de tomar decisões e vão sendo levadas pelas outras. Tomar decisões implica em responsabilidade e comprometimento e muitas pessoas não querem ter isso, preferem a sua “paz”. Por isso é interessante quando o descabeçado fala: “Que a paz e a estupidez estejam contigo”. Pessoas alienadas não sofrem porque pouco se importam com o que está acontecendo no mundo, não tem novas ideias e vão vivendo. Pessoas que pensam podem levar a empresa para um outro nível de engajamento, produtividade e resultado e isso pode ser “perigoso”, pois a empresa terá que enfrentar mudanças, sair da zona de conforto e poderá estar muito a frente de seus concorrentes.
  4. Ao decidir pelo caminho pedregoso João jura que não será infeliz porque não ele não queria. Esse é o ponto principal da questão de tomada de decisão. Talvez, para muitos não esteja claro, mas todas as decisões tomadas por João tinham um propósito: a busca da felicidade e é isso que facilita o processo. Quando não se tem a menor ideia do que se deseja, as pessoas ficam rodando no mesmo lugar. Quando se sabe onde se quer chegar, tem um objetivo, as decisões vão sendo tomadas para convergir para isso. As decisões empacam porque não há um norte e além disso, o tomador de decisão deve assumir a responsabilidade por ela, o que muitos não querem.

Tomar decisões é um hábito, quanto mais se pratica, mais o processo é facilitado. Experiências fazem a diferença. Sair da zona de conforto, lidar com pessoas, enfrentar o medo da complexidade e da responsabilidade pode te fazer um expert nas decisões pessoais, profissionais ou empresariais.

Se você quer o dono de sua vida, tome decisões! Caso contrário, não reclame se as pessoas tomarem por você. A vida não aceita vácuo…

Lembre-se disso!


Mudar o roteiro da sua vida: Não tem preço

roteirovida-0013Tenho várias manias, uma delas é: em tudo o que vejo, procuro fazer analogias com a vida, com os fatos do dia a dia.

Há um tempo, folheando uma revista, me deparei com a propaganda da Mastercard que dizia: “Mudar o roteiro da sua vida: Não tem preço”. Achei brilhante, ainda mais porque vem ao encontro do que vejo nas empresas por onde tenho passado.

Como tenho encontrado pessoas desmotivadas nas empresas mesmo com bons salários e excelentes cargos! Quando descobrem que minha especialidade é empreendedorismo e tomada de decisões, muitas dão um jeitinho de bater um papo em particular. Outras, quando descobrem que já fui funcionária de grandes empresas e que um dia tomei a decisão de sair e buscar um novo caminho, também querem saber o que fazer e tomar coragem para fazer o mesmo.

As pessoas acham que foi fácil tomar minhas decisões, não foi. Em 1994, foi a primeira decisão em mudar o roteiro da minha vida. Trabalhava na Suzano Papel, a meia hora de casa, tinha um bom salário e uma boa perspectiva pela frente, mas não era exatamente o que eu queria fazer e fui em busca de uma nova oportunidade.

Foram seis meses participando do processo rigoroso de seleção de trainees na Brahma (ainda não era Ambev). Dinâmicas, entrevistas, testes que me deixaram esgotada e ansiosa até que veio a resposta positiva da minha contratação.

Ser trainee implicava ganhar 20% menos do que eu ganhava, ainda tinha que enfrentar uma viagem de aproximadamente três horas por dia, entre ida e volta. Mas queria novos desafios e FUI! Afinal, o futuro de um trainee seria ocupar um cargo estratégico no futuro.

Depois de dois anos, um fato me deixou bastante frustrada e tomei minha segunda decisão da mudança de roteiro e essa foi muito dura. Abandonar uma empresa que admirava, deixar para trás o sonho de ser uma grande executiva (depois descobri que o sonho era muito mais das outras pessoas do que meu), começar algo do zero.

Criei coragem depois de analisar prós e contras e com meu noivo (hoje, marido) iniciei nosso primeiro empreendimento.

Nem tudo foram flores, erramos muito, mas acertamos muito também.

Como gosto muito de viajar, percebo que nossa vida é muito parecida com uma viagem. Às vezes, fazemos o caminho mais curto e perdemos paisagens maravilhosas. Outras, erramos o caminho, mas aprendemos que existem outros.  E tantas outras vezes, precisamos mudar o caminho, pois está fechado.

Só que para mudar roteiros e nos deparar com fatos que não poderíamos prever, exige coragem, persistência e assim, devemos lidar com os riscos de viver.

Há algum tempo, conversei com uma pessoa com um excelente cargo em uma grande empresa e ela me confidenciou que estava pensando em sair e buscar novos caminhos, pois depois de tanto tempo já estava muito desgastada e desmotivada.

Para minha surpresa, depois de alguns meses, estava nessa empresa ministrando um treinamento e ela abriu a porta e me deu um “tchauzinho” com um sorriso e um brilho diferente e partiu, mas soube apenas no final do dia que aquilo significava uma despedida, tinha tomado a decisão de mudar o roteiro de sua vida.

A pessoa que me contou de sua saída estava muito triste, pois gostava muito dela e disse saber que foi uma decisão acertada, mas que somos muito egoístas quando gostamos das pessoas; preferimos que mesmo sofrendo elas estejam perto de nós.

Já tomei tantas decisões ao longo do tempo: abrir e fechar negócios, mudar de emprego, de carreira e de área, casar, ter filho (e um só), mudar de cidade…

Será que fiz o que era certo? Tomei o melhor caminho? Realmente, não sei e nunca saberei. Poderia ter continuado o mesmo roteiro, me apegando às pessoas, aos títulos, ao poder, ao dinheiro por si só, mas decidi escrever uma história diferente. E de uma forma pensada, estruturada, planejada.

Uma história que começa todos os dias com personagens diferentes, enredos diversos e finais… que nunca poderei prever, mas que me faz uma pessoa realizada com as escolhas conscientes que fiz e isso, não tem preço!